Mostrando postagens com marcador artigo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigo. Mostrar todas as postagens

30 de outubro de 2009

ARTIGO: Detalhes tão pequenos de nós dois…

Primeiro, é claro, um pedido de desculpas pela citação robertocarlica, mas o artigo de hoje fala disto: os detalhes tão pequenos (ou não), que nós esquecemos ou deixamos passar, quando jogamos – e que tem um impacto muito importante nas partidas! Especificamente, poderes e regras que acabamos ignorando.

Mais ainda, vou estar me concentrando em alguns detalhes de Warhammer 40K, uma vez que foi aqui que vários destes detalhes causaram discussão e fizeram a diferença nas últimas partidas. Não que em Fantasy (muitas vezes) e em Senhor dos Anéis (bem menos) também não aconteça de esquecermos de usar um poder ou uma regras, e depois verificar que isto poderia ter mudado o jogo…

Bom, mas do que estou falando, então?

Aconteceu nesta última partida, no dia 25/10, que o Gabriel apontou que os Grey Hunters, a unidade base dos Space Wolves, tem, ao mesmo tempo Bolter (um rifle), pistolas e armas de corpo a corpo.

Ora, e o que isto quer dizer? No mínimo, como apontou o Gabriel, que ao assaltar, eles sacam as pistolas e as armas de corpo-a-corpo, e tem um ataque extra. Até aí, ponto para o Gabriel (e falha minha, que achei que isso não seria possível).

…O problema, o detalhe, é que isto vai AINDA mais longe: o fato dos Hunters terem estas três armas significa que simplesmente isto: de que eles TEM estas três armas (?!?). O TEMPO TODO. OU seja: não é só para dar um bônus extra em assalto ( e substituir a regra “true grit”* que os Lobos tinham em edições anteriores do jogo, com a qual eles podiam segurar o rifle Bolter com uma mão só). E não há nenhuma regra que diga que, tendo um equipamento, a unidade não possa trocar por este equipamento durante o turno.

E isso quer dizer que não só os Hunters podem ganhar um ataque extra no assalto, mas eles podem TAMBÉM:

- Estando a 12 polegadas/15cm do seu alvo no começo do turno, disparar 2 vezes com o Bolter… e trocar para pistola e arma de corpo-a-corpo, esperar para receber carga, dar contra-ataque (que eles tem), e devolver 3 ataques por modelo no seu atacante!

- Estando na mesma posição inicial anterior, sacar as pistolas no começo do turno, andar, disparar com as pistolas (e não com o Bolter) e assaltar – uma vez que usaram pistolas, que são “armas de assalto”, também dando 3 ataques.

“ Ok, então os Space Wolves são os reis do assalto, qual a novidade?” – você deve estar se perguntando. Qual a novidade, afinal? A novidade é que não são só eles que tem mais de uma arma equipada. Senão vejamos:

- Os Marines do Caos (e isso vai para você, Lucca!) também tem este trio (Bolter, pistola, arma c-a-c) equipado. Assim, eles também podem sacar as pistolas e a arma c-a-c, atirar com as pistolas e assaltar. E, claro, sempre lutar corpo-a-corpo com pistolas e armas, tendo, no mínimo, 2 ataques!

- Mais ainda, num outro detalhe esquecido, os Marines do Caos que usam armas pesadas (lança foguetes, canhões laser etc) continuam com suas pistolas e arma c-a-c! Ou seja, eles também tem 2 ataques, e inclusive, se não dispararam com a arma pesada, podem disparar com a pistola.**

- E como se pode (é , realmente não há regra proibindo!) trocar de armas, um Lorde do Caos pode usar uma Demon Weapon (que é de duas mãos) e uma pistola – só não ao mesmo tempo. Mas ele pode disparar com a pistola, “sacar” a arma-demônio e assaltar – esta aqui também é para você, Lucca. Ponto para você, que estava fazendo certo, erro meu, também.

“Ok, então Space Wolves e Caos são roubados. Qual a novidade?” – é o que você está dizendo agora. Mas não para por aqui, porquê:

- Todos os Marines carregam uma pistola. Na verdade, se você usa as miniaturas mais novas dos Marines, todas tem um coldre de pistola***. LOGO, todos os Marines podem sacar das pistolas e atirar com elas para assaltar – e não ter de abrir mão da fase de disparo, como muitos fazem, porque as minis tem Bolters na mão!

- E também, os Marines com armas pesadas e especiais TAMBÉM podem usar as pistolas ao invés destas, uma vez que eles trocam o Bolter (e não a pistola) pela arma grande.

- E agora, um “truque besta”, mas legal, para sargentos e capitães Marines: se quiser, o sargento pode ter Bolter (para longa distância) E pistola de plasma: afinal, ele troca a pistola comum pela de plasma, e não Bolter… Além disso, ele não necessariamente precisa ter a pistola de plasma na mão… é para isso que serve o coldre de pistola, não é? Basta fazer uma pintura legal, que deixe claro que é uma pistola “diferente”!

- E, por último nesta série, um combo que, literalmente, é permitido inclusive no FAQ dos Marines: usar uma Relic Blade E um Storm Shield. “Como é que é? Mas não é uma arma de duas mãos E um escudo pesado” – você vai me perguntar. NÃO. Em lugar nenhum diz que a Relic Blade é uma arma de duas mão: só que, devido a dificuldade em usá-la, você não tem como ganhar o ataque bônus para assalto por uma segunda arma! O mesmo para o Storm Shield. Logo, sim, você PODE ter estes dois itens na mão.

Ou seja: nós é que deixamos passar estes detalhes, mas está lá, sub-escrito, que podemos fazer tudo isso!

Mas não são só os “detalhes secretos” que nós deixamos passar: as vezes o óbvio – aquilo que está escrito com todas as letras- também:

- Todo mundo reclama no clube que os Dreadnoughts não sobrevivem para chegar perto dos seus alvos. Isso é verdade, especialmente porque ninguém usa os Smoke Launchers(lançador de fumaça) que TODO Dread tem – e que criam cobertura automática para o Dread avançar!

- Por sinal, TODO o tanque dos Marines, e da IG, e dos Marines do Caos TEM (que droga, até o Defiler, aquela aberração-aracnídeo-mecânica tem…).

E, por último, uma série de esquecimentos que foi crucial na última partida, mas até dá para entender: aqueles envolvendo “combate noturno”. Ora, como se usam pouco as regras para este tipo de combate, as pessoas tendem a esquecer que:

- Assim como lança-fumaça, todos os tanques e Dreads tem Searchlights (holofotes), que iluminam o seu alvo e permitem que outras unidades disparem, sem ter de rolar alcance, sobre eles

- E poucos exércitos tem tantas opções de visão noturna quanto o Império Tau. Dos Markerlights aos Filtros Blacksun nos veículos, os Tau tem variadas maneiras de simplesmente negar os problemas de combate noturno. SE, é claro, lembrarmos disto…

E é isto, caros leitores. Aprender a jogar também é aprender os detalhes, e não só as regras gerais e importantes. Porque, alguma hora, são estes detalhes que vão decidir os rumos do seu jogo!

* * *

* O engraçado é que é mesmo Grit, “firmeza”, e não Grip, “pegada, segurada”, como alguns traduzem.

** Ok, ISTO esta previsto nas regras: tirando os veículos e unidades com regras especiais, você só pode disparar uma arma de alcance por turno. Nos casos acima, ou arma pesada OU pistola.

*** Tudo isso mostra na verdade uma limitação meio brava da famosa regra “WYSIWYG”, “O que você vê é o que você tem”, usada em campeonatos oficiais, que diz que você só pode usar o equipamento que está esculpido/colado a miniatura: tanto os Lobos quanto os Marines do Caos NÃO tem coldres de pistola nem armas c-a-c esculpidas na mini – mas tem o equipamento. Ou seja, tirando as coisas grandes e itens “opcionais” (armas pesadas, escudos), a verdade é que a regra é “você não vê, mas elas tem porque está na ficha básica”.

Mas viajando na maionese: então eu posso pegar Marines comuns, , por na mesa e dizer “estes são meus Terminators”? Afinal pela ficha básica, TODO terminator tem armadura terminator, Storm Bolter e Power Fist – essa É a ficha básica deles…

17 de outubro de 2009

(V) ARTIGO: Vitórias napoleônicas

 

napoleao-bonaparte

Quem esteve no bunker das Tropas Polares neste feriado do dia 12 de outubro, pôde ver a vitória em 40K dos Iron Warriors do Lucca, contra um combinado da Guarda Imperial e Ultramarines,  e dos Space Wolves do Gabriel contra os Tirânidos deste que vos escreve.

Descontado o fato de que a vitória dos Iron Warriors do Caos teve uma ajuda de um erro de contabilidade (de uns 500 pontinhos, apenas…), ambos as partidas tiveram algo em comum: foram vitórias napoleônicas, partidas que foram vencidas ainda no deploy, quando as peças foram postas na mesa, e antes que os dados fossem rolados.

“Vitória napoleônica”, como o nome implica, se refere ao famoso baixinho corso (é, ele não era nascido na França continental, mas na Córsega), que venceu mais de uma batalha apenas com o posicionamento inicial de suas tropas no campo de batalha.

Ou seja: ao posicionar suas tropas, Napoleão já decidia a batalha. Tudo o que ocorria depois – incluindo a derrota dos inimigos - era efeito do posicionamento inicial, e da maneira como ele tinha, com ele, dominado o campo de batalha e forçado o inimigo a se por numa posição desvantajosa e/ou perigosa (ex. bem na mira dos canhões).

Só por esta explicação, dá para ver que este fenômeno se aplica perfeitamente ao jogo de Warhammer Fantasy – onde ele é uma grande verdade! – mas deve estar se perguntando onde ele entra no universo de 40K.

Geralmente, não muito: devido a liberdade de movimento das tropas, o posicionamento inicial geralmente não decidirá batalhas (apesar de poder ser um fator de peso na rodada inicial, especialmente se você contar com artilharia pesada). Mas não foi o que aconteceu nesta segunda-feira no bunker das tropas: vistas em perspectiva, ambas as batalhas forma vencidas ainda no posicionar das tropas na mesa, com todo o resto apenas confirmando estas vitórias.

Se não vejamos:

- Lucca baixa seus Iron Warriors na mesa. Imediatamente ele Infiltra um esquadrão completo de Escolhidos, incluindo um Campeão Aspirante, DENTRO da capela que era o (único)objetivo do cenário da partida . Eles não sairão de lá até o final do jogo.

- Gabriel põe na mesa seus Space Wolves. O Rune Priest lança seu cyber-corvo bem no meio da mesa, impedindo que os Tirânidos se Infiltrem na mesa junto aos Wolves… o que força um exército que não tem armas de alcance a atravessar toda a mesa quase sem cobertura. Serão dizimados pelos disparos antes de conseguir lançar seu assalto. Isso contra Space Wolves – que deveriam ser mestres do corpo-a-corpo…

Como se vê, nas duas partidas, o posicionamento de uma única tropa ganha o jogo, tomando o objetivo ou quebrando toda a estratégia de combate do exército inimigo. Puro Napoleão.

*   *   *

Contraponto:

Mas depois de laudear os nobre adversários pela vitória, é preciso também fazer uma crítica: E FOI ISSO LEGAL?

Por legal, não se leia aqui “legítimo” – ambos os jogadores seguiram estritamente as regras, de forma totalmente correta (bem, o Lucca tinha 500 pontos a mais que os adversários, mas isto é outra história…). Legal aqui é sinônimo de “divertido”.

É legal ver um exército tomar o objetivo antes mesmo do jogo começar – e outro matar toda a estratégia sobre a qual funcionava seu adversário?

Notem que poderíamos ter dito “Ok, você ganhou”, e terminar a partida – antes mesmo dela começar. Isso teria sido legal?

Será que às vezes* não devemos abrir mão de uma vantagem inicial – para que a partida corra melhor para todos?

* Notem que não estou falando aqui de campeonatos – lá, é ESPERADO que se use de todas as ferramentas que se tem à mão para vencer. Mas e num jogo amigável? É coisa para se pensar…